Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Terminus


Aguardo pelo passar do tempo... o relógio que teima em não avançar... se o tempo corresse à velocidade do pensamento... fugaz... corrido... inconsequente... inconstante.

Conto as horas que faltam como quem conta os degraus de uma interminável escada. Ouço o tic-tac do relógio que me parece cada vez mais lento e o coração que bate cada vez mais rápido numa luta de tempo, espaço, razão e sentimento.

Procuro com o olhar distracções para a minha desesperante realidade. Ajuda-me a gastar o tempo... tempo esse que me irá faltar... depois noutro tempo.
Esconder-me no escuro não me retira o peso de tudo aquilo que sou, não retira a responsabilidade, não retira o sentimento, não retira o medo de falhar... errar e recomeçar.
Constante, continuo, seguido, continua o relógio marcando os minutos da minha desgraçada, falta cada vez menos para o meu fim...

Fechado nessas paredes invisiveis e percorro com os dedos o chão que me falta, mas mesmo assim sinto o correr do vento na minha cara. Criando a distância da realidade, correndo a vida pelo voyeurismo dos dias e das horas sem saber que afinal queremos ou teremos.

Para quê tanta luta? Para quê tanto sofrimento? Quais são os momentos que valem mesmo a pena? Será que a fruição pura e sincera não valerá mais do que mil esforços para situações grandiosas que só o são se forem realmente importantes para nós. A raiva que nos cresce dentro, consome e corrói aquilo que nós somos ou fomos. Visão pálida do que fomos.

Vamos fugir? Vamos retirar o peso das coisas e sermos felizes? Vamos ser gente?

5 comentários:

Priscila disse...

Gostei muito do texto, está bem pensado, bem escrito e essencialmente bem sentido. De facto estes textos são escritos por pessoas que vivem vidas bem sentidas, bem projectadas.
Adoro os dois e não sei com qual hei-de casar :-))))))

Ana disse...
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Priscila disse...
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Ana disse...
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Bravo disse...

Certo dia, há muito tempo, ouvi esta frase: "No dia em que nascemos começamos a morrer"...
Pensei sobre ela, sobre o seu sentido e nunca mais a esqueci. O "Terminus" também encara a mesma realidade, dura e castradora, mas inevitável.

"Vamos ser gente?" parece-me ser a pergunta ideal para despertar os sentimentos esquecidos que realmente interessam...