
Aguardo pelo passar do tempo... o relógio que teima em não avançar... se o tempo corresse à velocidade do pensamento... fugaz... corrido... inconsequente... inconstante.
Conto as horas que faltam como quem conta os degraus de uma interminável escada. Ouço o tic-tac do relógio que me parece cada vez mais lento e o coração que bate cada vez mais rápido numa luta de tempo, espaço, razão e sentimento.
Procuro com o olhar distracções para a minha desesperante realidade. Ajuda-me a gastar o tempo... tempo esse que me irá faltar... depois noutro tempo.
Esconder-me no escuro não me retira o peso de tudo aquilo que sou, não retira a responsabilidade, não retira o sentimento, não retira o medo de falhar... errar e recomeçar.
Constante, continuo, seguido, continua o relógio marcando os minutos da minha desgraçada, falta cada vez menos para o meu fim...
Fechado nessas paredes invisiveis e percorro com os dedos o chão que me falta, mas mesmo assim sinto o correr do vento na minha cara. Criando a distância da realidade, correndo a vida pelo voyeurismo dos dias e das horas sem saber que afinal queremos ou teremos.
Para quê tanta luta? Para quê tanto sofrimento? Quais são os momentos que valem mesmo a pena? Será que a fruição pura e sincera não valerá mais do que mil esforços para situações grandiosas que só o são se forem realmente importantes para nós. A raiva que nos cresce dentro, consome e corrói aquilo que nós somos ou fomos. Visão pálida do que fomos.
Vamos fugir? Vamos retirar o peso das coisas e sermos felizes? Vamos ser gente?